Eu nunca gostei de rezar, sempre me senti uma idiota falando pro nada, agradecendo para o teto do meu quarto o dia maravilhoso que eu tive, os amigos leais que me acompanham, meus pais que nunca me deixaram faltar nada. Talvez eu me sinta desse jeito porque, ou eu não acreditava em Deus (coisa que eu acredito) ou a minha concepção dessa força maior que paira sobre nossas cabeças seja uma coisa mais abstrata do que um ser humano perfeito. Hoje em dia eu me contento a fechar os olhos por um minutos e agradecer ao cosmo, a Deus, aos Deuses, ou quem quer que esteja lá em cima olhando por mim, sejam meus avós, meus bichinhos de estimação, meus personagens preferidos.
Para mim Deus está muito mais ligado a uma coisa do que a uma pessoa, e Ele que me perdoe, mas eu não acredito em Jesus Cristo, nem na imaculada concepção e nem em nada disso. A maior prova de que Deus existe não é Jesus Cristo, é simplesmente o sol que nos esquenta, o ar que respiramos, a água que bebemos, é o universo e toda a sua complexa simplicidade.
E quanto a mim? Eu decidi fechar mais um ciclo da minha vida. Deletar não, eu jamais poderia deletar essa parte que ainda é minha, que ainda sou eu, para quem se pergunta o Desconexa Sensação vive, mas agora está recluso, é uma parte de mim que já não tem nada para compartilhar, eu continuo desconexa, lutando todos os dias para traduzir um pedacinho de mim, ás vezes eu traduzo um parágrafo inteiro em questão de minutos, horas. Outras eu simplesmente encaro aquele monte de letras e pontuação e me pergunto o que raios tudo aquilo significa, mas não importa, não enquanto esse buraco negro viver no meu peito, falando, despejando essas tantas palavras que eu nem preciso pensar pra escrever. Eu deixo o coração ir direto para os dedos, que se dane o cérebro, de desconexa eu passei a ser inerente, incoerente, inconsequente, coisas que eu sempre fui, mas que resolvi tornar público mais uma vez, mas um público invisível, que quase ninguém lê, que ninguém quer saber. É como se meu retrato fosse um show de mágica falido num teatro caindo aos pedaços, onde só vão os realmente curiosos, ou os realmente entediados, e só ficam quem se identifica nem que seja um pouco, que se diverte com a minha existência torta e perdida. Como quem espera se o palhaço vai levar a torta na cara, se a faca vai acertar a bela assistente, se o mágico enfim vai tirar o coelho da cartola.
Buracos Negros Falantes é mais um lugar onde eu me derramo aos poucos para quem queira, para quem goste, um pouco mais contida talvez, um pouco menos racional e não mais constante do que sempre fui.
Bem vindo.
Um comentário:
Ale, você me definiu em várias partes do seu texto excelente <3
Sou sua fã e te amo muitão. Se eu não te leio sempre é por relaxo e falta de tempo da minha parte, mas talento não te falta.
beijos
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