domingo, 19 de maio de 2013

Keep walking


Na quinta feira passada a linda da Gabi Irala falou no blog dela sobre um traço de personalidade que nós duas compartilhamos. “Costumo dizer que se uma coisa está muito boa, é porque algo de ruim se aproxima, o que quase nunca acontece, mas eu sou daquelas pessimistas inabaláveis”, foi o que ela disse e eu sou assim também, só que pior ainda eu consigo materializar essas coisas ruins que me acontecem do nada, simplesmente porque eu consigo pensar demais, simplesmente porque depois que a euforia e a leveza de espírito que a gente só consegue depois de um dia muito bom passam, eu sou deixada sozinha com meus pensamentos, minhas lembranças e em todas as coisas idiotas que eu fiz, que inevitavelmente resultaram em pessoas que eu amei com todo o meu coração saindo da minha vida, por única e exclusivamente culpa minha. 

Eu não sei por que eu faço isso, sinceramente não sei como eu posso ir de me sentir infinita a segurar as lágrimas dentro do metrô em questão de minutos – e isso é só um dos vários motivos pelos quais eu amo Perks Of Being a Wallflower com todo o meu coração -, mas eu faço e eu me odeio por isso porque numa dessas crises eu sempre falo demais, e sempre falo a coisa errada, e sempre acabo perdendo um amigo... A única coisa que me cura dessa loucura toda é andar, colocar os fones de ouvido tocando aquela música que te faz sentir como se todas as coisas no mundo estivessem no lugar certo na hora certa e andar com ou sem destino, tanto faz. Quando eu caminho as coisas não precisam fazer sentido, eu não preciso pensar que tudo de ruim que me acontece é culpa minha, que “para sempre” não existe e que eu vou morrer sendo esse misfit toy, essa pessoa que nasceu com defeito e que nunca vai se consertar. Porque eu simplesmente não posso ser consertada e nem quero, acho que se eu fosse igual aos demais eu não teria vivido todas as coisas maravilhosas que eu vivi, não teria cruzado o caminho de pessoas maravilhosas que eu conheci, e que jamais conheceria se eu me acovardasse diante da cara feia do mundo e feito o que eles queriam que eu fizesse. Essa simplesmente não sou eu, jamais serei eu. E é essa sensação que eu tenho quando eu caminho, seja por entre as árvores de um parque em Dublin, ou mesmo pela calçada da Marginal Tietê indo em direção ao shopping, porque caminhar faz com que a minha mente se liberte das correntes que eu mesma prendi e me faz ter uma visão mais clara do mundo, é o que me acalma, o que me mantém sã.

Tem pessoas que comem, tem pessoas que fazem compras (e essa alternativa também é muito efetiva), tem pessoas que assistem a filmes tristes só para chorar e tirar do seu sistema todas as coisas ruins que te assombram. Eu caminho. Eu respiro fundo e coloco um pé na frente do outro, porque aí eu me lembro que eu tenho que seguir em frente, que as coisas do passado não tem que se repetir por mais que eu tema que isso aconteça, e que se acontecer eu vou poder me levantar e continuar caminhando, as vezes correndo, as vezes mancando, o que eu não posso é deixar que as correntes me levem, me arrastem para as profundezas mais escuras do meu ser. Eu sei que uma das minhas curas é caminhar, e por isso eu caminho de cabeça erguida, com os olhos fixos a minha frente e a minha mente longe, para que nada disso me detenha. I gotta keep moving forward, I gotta just keep swimming. I gotta keep on walking.

5 comentários:

Fran Carneiro disse...

Eu acho, sis, que nem sempre alguém pode ser consertado em prol "dos outros". Eu acho que você é uma pessoa maravilhosa sendo assim, ainda que convivamos pouco. Eu acho que o importante é saber lidar com o que somos e com o que fazemos. E eu acho, acima de tudo, que o mais importante é se permitir: se somos x ou y, precisamos aprender a lidar com isso. Mas nunca, nunca nos oprimirmos. Permitamo-nos sentir, apenas.
OBS: Sua "válvula de escape" é tão saudável que fiquei com invejinha rs.

Paloma Engelke disse...

Em qualquer relação que envolva mais de uma pessoa (ou seja, todas) todas as partes se machucam de alguma forma. É inevitável. E é por isso que todo mundo precisa de seu meio de fuga, de cura, de seja-o-que-for. A sua forma é bem metafórica e poética (além de menos dispendiosa do que fazer compras).

Beijos.

Ana Luísa disse...

Sabe que eu também vivo (suicidamente) pensando em coisas que eu posso ter feito que vão afastar as pessoas de mim? Eu sempre tenho medo. Sempre. Em qualquer relação. Eu morro de medo de magoar as pessoas, e acho que elas se magoaram fácil comigo, apesar de eu dificilmente me magoar de verdade com elas.
E se você caminha, eu tomo banho! Ah, o chuveiro. Santo remédio!
Beijo!!

Isabel disse...

Obrigada por arrancar minha alma e transformar em palavras.
Tá, brincadeirinha. Mas me identifiquei. Muito.
{Fora a parte de caminhar.}

Amanda disse...

Nem sei o que comentar, Alê. Eu sou super pessimista, também. Eu digo que essa é apenas eu pensando no que vem pela frente - o que geralmente é -, para não ficar chateada. Mas sabe o engraçado? Eu fico chateada anyway. Não é porque eu sei que alguma coisa ruim vai acontecer que, quando ela acontecer, eu não ficarei chateada. Pensando pelo lado lógico da coisa, ser pessimista é uma mau negócio. Porque né? A gente sofre mais do que deveria.

É uma coisa a se pensar.