domingo, 7 de julho de 2013

Fly away

A primeira vez que entrei num avião foi em julho de 2011, num voo São Paulo-Amsterdam que me levaria para uma das maiores aventuras da minha vida e foi horrível. Mal o avião tinha decolado eu já tinha derramado algumas lagrimas de medo e arrependimento por ter deixado o aconchego do meu lar e minha zona de conforto, enfrentamos (eu, minha irmã e o resto dos passageiros) uma turbulência tensíssima e eu, pardon my frente, que já estava com o cu na mão não consegui pregar o olho nas quase 12 horas de voo. A segunda vez foi logo em seguida, na conexão Amsterdam-Dublin e eu estava tão exausta da minha primeira experiência que não vi nem ouvi nada, apenas me acomodei na poltrona desconfortável da aeronave, fechei a janelinha e só acordei com o solavanco que as manobras de aterrissagem causavam. Graças a Deus eu não teria que passar por outra situação desagradável como essa por um bom tempo.

Aí eu vi passar o verão europeu, o outono, sobrevivi ao inverno deprimente e logo nos primeiros dias de janeiro de 2012 eu me encontrava pegando o ultimo ônibus pro aeroporto de Dublin, para um voo de quase uma hora destinado para a minha cidade dos sonhos. A única cidade que eu aprendi a amar que não fosse São Paulo (minha relação com a capital irlandesa é um tanto quanto problemática): Londres. Depois de ter jogado minha dignidade no lixo e dormido no chão do aeroporto eu fiz o check in nos balcões recém abertos da Ryanair e fiquei perambulando pela plataforma de embarque, mexendo no celular enquanto o dito cujo carregava porque nem o free shop estava aberto àquela hora da manhã. Claro que a quarta vez foi no voo de volta que eu nem queria pegar, e a quinta e a sexta foram naqueles mesmos aviões que me levaram para longe de casa, mas desta vez o caminho era inverso.

Eu vou confessar aqui o que muitos dos meus amigos já sabem. Eu tenho medo de altura, medo de cair, sei lá... Só sei que é eu olhar pra baixo e perceber que o chão já não esta sob os meus pés que eu me sinto insegura, caminhando para o perigo iminente. Então vocês podem imaginar o pavor que eu tenho de ficar presa numa lata de metal a milhares de quilômetros acima da terra, não importa o quão seguro eles dizem que seja.

Mas tem uma coisa sobre voar, no começo é até desagradável como tomar injeção pela primeira vez, você não sabe o que te espera, acha que vai doer, fica com medo e até faz manha, carinha de choro, pode até soltar umas lagrimas. Na segunda vez é como fazer uma tatuagem, o começo incomoda, mas logo você se acostuma aos solavancos e começa a curtir a viagem, tudo pensando no destino final, no que te espera depois do portão de desembarque. E quando você vê esta aflita porque não consegue comprar as passagens e fica contando os dias até o momento de pisar novamente em um aeroporto.

Eu não sou do tipo viciada em adrenalina, não gosto de coisas que vão rápido demais, que desafiam a gravidade e que viram de ponta cabeça (e isso me torna a pior companhia para parques de diversão), mas tem alguma coisa nos aviões que me deixa diferente. Quando mais nova eu gostava de deitar na cama, na grama, ou em qualquer lugar e ficava observando os aviões cortarem o céu, me perguntando de onde vinham, para onde iam, se estavam partindo ou chegando e se as pessoas lá em cima poderiam me enxergar. Eu sonhava com o dia em que seria eu lá dentro, sobrevoando minha casa, em direção a um lugar totalmente novo e desconhecido...

Minha vez chegou e eu fui essa pessoa que se preocupa com o peso da mala, se vai conseguir pegar um lugar bom na janela, logo atrás da asa (esses são os melhores), que fica quicando no banco nos minutos que antecedem essa aterrissagem que é uma coisa magica. Eu não gosto de coisas que andam muito rápido, que desafiam a gravidade nem que me viram de ponta cabeça, e voar de avião inclui dois de três itens que eu não suporto, mas existe uma coisa quase cósmica em voar, em olhar pela janelinha da aeronave as luzes da cidade como se fossem pisca-pisca de Natal, os carros como se fossem de brinquedo e as ruas que são simples riscos cortando a cidade. É nos momentos em que eu estou observando todo o universo de algumas pessoas lá do alto que eu acredito numa força maior, chame de Deus ou do que preferir, que me dou conta de como somos pequenos, insignificantes, e de como é lindo dar um passo para trás - ou alguns milhares para cima - e poder ver a cidade onde nasci e fui criada e depois de algum tempo descansar os olhos numa paisagem que eu nunca vi antes e que sempre, em qualquer ocasião é sempre tão linda, mesmo que seja apenas neblina e o sol brilhando em algum lugar do horizonte.


E tudo isso porque dentro de quatro dias eu vou novamente despachar minha bagagem, passar pelo detector de metais e raio-X de bagagem de mão, fazer check in e sentar numa poltrona desconfortável, na janela atrás da asa e vou quicar ansiosamente no meu lugar quando o piloto anunciar a aterrissagem e eu mal posso esperar por isso.

Um comentário:

Lilica disse...

Me identifiquei bastante com esse post Alê. Também não sou fã de aviões mas não deixo de viajar por causa disso. Fico com medo, me sentindo esquisita mas quando chego no destino tudo desaparece. Ainda não viajei para fora do Brasil mas espero que, quando conseguir realizar esse sonho, tome um remedinho pra dormir e belê! O importante é enfrentar o medo e seguir em frente né! Beijos