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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

mudei, de novo!

Acho que já estabelecemos aqui o fato de que eu sinto falta de escrever, que sinto falta de muitas coisas na verdade, algumas das quais eu não posso ter de volta. Porém, se tratando do blog, do meu pequeno reino cibernético eu posso fazer o que quiser, sambar ouvindo a sétima sinfonia de Beethoven e fazer o que quer que seja pra me sentir mais à vontade. Daí eu resolvi mudar.

Porque mudanças não somente renovam o ar de qualquer coisa - inclusive de um blog -, mas elas refletem as próprias mudanças que você - no caso, eu! - passou por durante o tempo ausente. Um dos principais motivos de eu ter desativado o Desconexa Sensação foi porque ali eu tinha dedicado todo meu tempo e coração para uma pessoa que já não me pertencia mais, eu me agarrava a coisas passadas que nem se eu quisesse poderia trazer de volta... E quando eu finalmente superei isso, achei que era hora de mudar e foi quando o Buracos Negros Falantes surgiu, uma nova proposta, um novo endereço porém um pedacinho de mim tinha ficado no DS, transformando meu novo começo numa coisa triste, fajuta e melancólica... Acho que dá pra ver porque não durou. Aí eu deixei quieto, fui ser um buraco negro sozinha e perdida no espaço, aí o tempo passou, eu derreti com o calor infernal que fez em São Paulo o ano todo, terminei a faculdade, larguei meu emprego e TA-DA! Aqui estamos. Layout "novo", url nova e sem aquela empolgação fogo de palha, mas com uma vontade honesta de não deixar esse espacinho às moscas de novo.

Mas Alê, porque "Fora do lugar"? Bom meus queridos e jovens padawans, eu sou uma bagunça, sempre fui, sempre serei e não há santol, nem milagre, nem remédio que resolvam isso. Tudo que se refere à mim está fora do lugar, talvez não no sentido literal da coisa, mas encarem isso como uma metáfora bonitinha, onde ao invés de tentar me encaixar eu abraço minhas neuras e estranhezas e consigo viver com isso muito bem e feliz obrigada. Não que isso já não viesse acontecendo de outros carnavais, é só que agora eu não sou mais um buraco negro perdido e solitário. E acho que isso dá pra notar pela nova paleta de cores, mais quente e alegre. Ainda preciso de um header decente, mas estou trabalhando nisso. O que importa é que vou me esforçar pra escrever mais não por nada, mas porque eu gosto e é sempre bom né?

Aproveito também pra deixar meu muito obrigada se você leu tudo isso, ou se só veio aqui dar uma passadinha pra fuxicar. Um beijo grande procê!

OBS: não comentei, mas a url trocada tá certa mesmo viu? Foi só mais uma brincadeira/alusão à minha mente bagunçada! (;

terça-feira, 14 de maio de 2013

Buracos Negros Falantes


Eu nunca gostei de rezar, sempre me senti uma idiota falando pro nada, agradecendo para o teto do meu quarto o dia maravilhoso que eu tive, os amigos leais que me acompanham, meus pais que nunca me deixaram faltar nada. Talvez eu me sinta desse jeito porque, ou eu não acreditava em Deus (coisa que eu acredito) ou a minha concepção dessa força maior que paira sobre nossas cabeças seja uma coisa mais abstrata do que um ser humano perfeito. Hoje em dia eu me contento a fechar os olhos por um minutos e agradecer ao cosmo, a Deus, aos Deuses, ou quem quer que esteja lá em cima olhando por mim, sejam meus avós, meus bichinhos de estimação, meus personagens preferidos.

Para mim Deus está muito mais ligado a uma coisa do que a uma pessoa, e Ele que me perdoe, mas eu não acredito em Jesus Cristo, nem na imaculada concepção e nem em nada disso. A maior prova de que Deus existe não é Jesus Cristo, é simplesmente o sol que nos esquenta, o ar que respiramos, a água que bebemos, é o universo e toda a sua complexa simplicidade.

E quanto a mim? Eu decidi fechar mais um ciclo da minha vida. Deletar não, eu jamais poderia deletar essa parte que ainda é minha, que ainda sou eu, para quem se pergunta o Desconexa Sensação vive, mas agora está recluso, é uma parte de mim que já não tem nada para compartilhar, eu continuo desconexa, lutando todos os dias para traduzir um pedacinho de mim, ás vezes eu traduzo um parágrafo inteiro em questão de minutos, horas. Outras eu simplesmente encaro aquele monte de letras e pontuação e me pergunto o que raios tudo aquilo significa, mas não importa, não enquanto esse buraco negro viver no meu peito, falando, despejando essas tantas palavras que eu nem preciso pensar pra escrever. Eu deixo o coração ir direto para os dedos, que se dane o cérebro, de desconexa eu passei a ser inerente, incoerente, inconsequente, coisas que eu sempre fui, mas que resolvi tornar público mais uma vez, mas um público invisível, que quase ninguém lê, que ninguém quer saber. É como se meu retrato fosse um show de mágica falido num teatro caindo aos pedaços, onde só vão os realmente curiosos, ou os realmente entediados, e só ficam quem se identifica nem que seja um pouco, que se diverte com a minha existência torta e perdida. Como quem espera se o palhaço vai levar a torta na cara, se a faca vai acertar a bela assistente, se o mágico enfim vai tirar o coelho da cartola.

Buracos Negros Falantes é mais um lugar onde eu me derramo aos poucos para quem queira, para quem goste, um pouco mais contida talvez, um pouco menos racional e não mais constante do que sempre fui.

Bem vindo.