Vim aqui só fazer um comunicado. Sei lá se tem alguma alma penada que ainda vem me dar o ar de sua graça e ler minhas patifarias sem graça... Eu falei aqui já que queria voltar a escrever, e to voltando aos poucos, seja aqui, seja no caderninho que o namorado me deu faz mais de um ano e só há umas semanas eu tive coragem de estrear. A verdade é que em algum momento da minha vida adulta eu me perdi de mim e com isso foram meus hábitos de leitura, meu jeito de escrever os textos e até mesmo um pouco de mim mesma. E até eu me reencontrar eu vou ficar um pouco aqui, um pouco ali... Um pouco acolá. Então se você, leitor fantasma, ainda exisitir e passar por aqui e ainda ver esse mesmo post, você talvez me encontre num desses outros links.
https://alessandracsrocha.wordpress.com/
http://idontsharementos.blogspot.com.br/
Ou talvez eu volte aqui mais cedo do que eu imagino, a verdade é que eu não me encontrei em lugar nenhum ainda - ciberneticamente falando pelo menos - então eu sou nômade e quem quiser que siga minha migalhas de pão.
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sábado, 24 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
de sonhos, expectativas e saudade
Will you let me romanticize
The beauty in our London skies
You know the sunlight always shines
Behind the clouds of London skies
Tem três anos desde que fui pra Londres.
Para quem não sabe, Londres é o meu lugar preferido na terra desde que eu me entendo por gente. Eu nunca soube explicar direito o porque: se foi por causa de Harry Potter, se era o sotaque, se era o clima sempre tão nublado e chuvoso (nunca me dei bem com o verão e suas altas temperaturas), eu só sabia que amava aquele lugar como se tivesse nascido ali, e sabia que cedo ou tarde eu teria que colocar meus pézinhos na terra de tantos reis e rainhas. Eu só não imaginava que seria tão cedo.
Para quem também não sabe, quando eu tinha 18 anos eu embarquei numa viagem de oito meses para a Dublin, a capital irlandesa, para estudar inglês, tentar arranjar um trabalho e com alguma sorte viajar um pouco pela Europa. Bom, eu estudei, eu fiz um bico aqui e ali, mas esperar maturidade e responsabilidade de uma pirralha de 18 anos que até então nunca tinha trabalhado, que dependia dos pais e só estava ali porque esses mesmos pais são maravilhosos e realizaram esse sonho/desejo é um pouco demais. Em resumo minha vida em Dublin foi um tapa na cara gigantesco, onde eu provei que não era nada além de uma garotinha mimada, e eu me estrepei lindamente durante todos os oitos meses... Olhando pra trás criticamente, não sei se faria tudo exatamente igual - até porque eu fiz merda pra caramba -, mas se tem uma coisa que eu não mudaria nada seria meu final de semana em Londres.
Eu estava em Dublin há seis meses, já tinha acabado meu curso e estava sem um puto no bolso, querendo ir pra casa mais do que nunca... Só que tinha uma coisa me impedindo: meus housemates. Que me proibiram ir embora antes do Saint Patricks Day - o santo padroeiro da Irlanda - falei com meus pais e eles maravilhosos não só me mandaram dinheiro pra mudar a passagem, mas também o suficiente para um único final de semana no único lugar do mundo que eu não me perdoaria de não conhecer enquanto estivesse na zoropa. Então com o hostel reservado, a passagem comprada e o dinheiro contado eu fui, no dia 06 de Janeiro de 2012 às 6 e tantas ta manhã eu embarquei num vôo da Ryanair com nada além de uma mala de mão e fui. E olha.. Eu não sei vocês, mas mesmo com medo, mesmo pensando nas coisas que poderiam dar errado e mesmo com toda a expectativa eu sabia que Londres não ia me decepcionar, eu sabia tanto que comecei a chorar no minuto que o piloto do avião anunciou que logo iríamos aterrizar. E não me decepcionou, mesmo estando sozinha, mesmo dando voltas e voltas no mesmo lugar, mesmo estando perdida e com vergonha demais de pedir informações eu desbravei aquela cidade e eu me maravilhei com aquela cidade e eu descobri ali milhares de quilômetros longe de casa, do outro lado do oceano o meu lugar na terra. Pelo menos um deles.
E tudo isso porque o Timehop me lembrou que hoje, três anos se passaram desde essa viagem, desde essas fotos, só o que não passou foi a saudade e o sentimento incrível e inesquecível que eu senti quando estive ali.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
e agora José?
Alô, alô marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano ta na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
Comecemos o ultimo post do ano com Elis porque sim. E não adianta, mesmo que eu tenha ficado ausente o ano inteiro, o último post do ano sempre vai acabar sendo uma retrospectiva, um balanço, um desabafo ou qualquer outra coisa que resuma toda nossa experiência enquanto seres humanos nos últimos 365 dias.
2014 pra mim foi um ano peculiar. Foi o ano de terminar a faculdade, de me manter num emprego por mais de três meses, de experimentar a dor e a delícia de ser o que sou. Não foi fácil meus amigos, não foi nem um pouco fácil... Porque acreditem ou não eu vou cair (DE NOVO) no tema sobre o qual eu venho discorrendo durante ANOS sempre com a mesma conclusão, que é: crescer não é fácil. Nenhum pouco. Nem de brincadeira. Nem um pouquinho mesmo. E eu digo isso porque eu cresci mais em 2014 do que eu acho que cresci em qualquer outro ano, porque foi nesse ano que eu coloquei um pézinho quase inteiro na vida adulta, eu tinha um emprego, eu tinha uma rotina, eu tinha responsabilidades, eu tinha contas para pagar e bizarramente ou não eu me descobri bem mais responsável do que eu achava que era, porém admito também me descobri muito mais preguiçosa do que eu sabia que era.
Esse ano também foi o ano de levar porradas metafóricas, principalmente do meu lado emocional que eu não vou nem me aprofundar, mas só pra vocês terem uma idéia: eu era (e admito, ainda sou um pouquinho) a pessoa mais medrosa, insegura e neurótica do mundo quando gosto de alguém, e ano passado eu não encontrei só alguém que eu "gosto", eu encontrei alguém que puta que pariu me fez sentir todo o espectro de emoções que eu já conhecia de cabo a rabo e me mostrou algumas outras sensações muito boas. Foi alguém por quem eu chorei, chorei muito, muito mesmo, e chorei que nem criança de soluçar e balbuciar palavras sem sentido, de encharcar a camiseta dele e me agarrar a cada pedacinho do ser humano maravilhoso que é meu namorado, alguém que não só ouviu todas as minhas neuras, meus medos, as merdas que eu fiz. Alguém que me abraçou e não saiu do meu lado até eu estar melhor, até eu estar "curada", até eu entender que o que eu sentia por ele, ele sentia por mim. Foi alguém que foi incomensuravelmente necessário e importante no meu 2014, foi uma das pessoas que mais me ajudou a crescer fosse sendo fofo ou me dando uns sacodes (de novo, metafóricos) pra ver se eu acordava e começava a acreditar um pouquinho mais em mim. Então se esse post, de alguma forma, se tornar uma retrospectiva/balanço, vocês podem acreditar que a melhor coisa que já me aconteceu nesse ano, nessa vida se chama Adriano, e não tem viagem, não tem computador, roupa, câmera e sapato novo que supere a felicidade que aquele guri me dá, não tem.
Agora fazendo uma auto-crítica ferrenha eu fui muito besta em 2014, porque eu tinha um objetivo, apenas um! Que era aproveitar o emprego novo pra guardar dinheiro e eu não consegui, a merda de ter dinheiro é essa, você sempre vai gastar, sempre. E eu sou uma pessoa que gosta de gastar dinheiro, fazer o que. E pra ser bem sincera também, não posso mentir dizendo que me senti mal, porque na verdade não me senti, mas é necessário dizer que eu fui uma péssima amiga, em praticamente todos os sentidos possíveis, Porque eu tomei decisões e fiz escolhas que não incluíam as pessoas que foram a razão do meu 2013 ter sido tão bom e nem me toquei de que talvez isso pudesse magoá-las ou não, eu me excluí e excluí todo o resto sem nem pensar duas vezes. Me fechei dentro do que era confortável pra mim e acho que isso ninguém deveria fazer, mas tudo bem, ficou aí de lição pra mim. Fui uma idiota, dei patadas em quem não merecia, mas eu aprendi. Eu juro que aprendi! Aprendi que viver pro trabalho não é viver, e que mesmo não gostando de brigar, às vezes brigar é exatamente o que a gente precisa pra ser alguém melhor, pra subir na vida, aprendi que eu sou muito mais do que eu enxergava no espelho e aprendi a não ter tanto medo de ser boca dura às vezes, quando é necessário.
Em resumo, 2014 pra mim foi um ano bizarro. Para o mundo foi bombástico, para mim não houveram grandes acontecimentos, mas foi um ano bem intenso e como foi! Foi tão intenso e bizarro que fica até difícil de explicar. E pra 2015? Olha eu já desisti dessas resoluções de ano novo faz tempo, mas faz parte de ser um ser humano nesse planeta fazer uma auto-avaliação e sempre destacar um ponto ou outro pra gente evoluir (baby steps né?) Eu graças a Deus não preciso de muita coisa, ou muito dinheiro, ou muitas pessoas ao meu redor. Mas um emprego novo, além de necessário é uma querência grande minha, que eu aprenda de verdade a guardar um pouco de dinheiro, que eu volte a ter contato com as pessoas que são queridas para mim e que por algum motivo já não esteja mais tão próxima, manter meu namoro que tá me fazendo um bem danado e oras, quem sabe até ficar um pouquinho mais saudável? Mas nada de no pain, no gain... Pra isso daí eu não tenho vocação.
Pra você que me acompanhou até aqui meu muito obrigada, pra quem me visita de vez em nunca meu convite pra voltar mais vezes - vou me esforçar pra voltar a escrever mais também - e pra todo mundo uma boa virada, que 2015 venha mais leve e colorido para todos nós!
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
e fim.
Vim aqui compartilhar com vocês que finalmente deletei o Desconexa Sensação, depois de um ano e meio desativado, 211 posts e uma caralhada (desculpa) de acessos, eu deletei. E não doeu, não me senti mal nem traindo minhas versões anteriores. Só deletei.
Deletei porque esses dias eu peguei aquele blog pra ler desde as primeiras postagens, desde as primeiras crises, desde as primeiras decepções amorosas, desde o primeiro emprego, o primeiro salário e tantas primeiras coisas que eu já nem lembro mais. Deletei porque muita coisa que eu escrevi ali pra mim já não vale mais, deletei porque toda a dor que eu senti já não existe mais - graças a Deus -, nem o amor que eu achei que senti. Deletei todas essas coisas "ruins", porém necessárias e acabei deletando junto as coisas boas, os memes da máfia, os relatos do primeiro encontrão, alguns dos meus melhores contos e crônicas (mesmo eu sendo muito mais uma criança na época e nem sabendo escrever direito), meus sonhos, meus medos. Puff. Viraram pózinho virtual. Desapeguei. Assim como enquanto eu escrevo isso pensei seriamente em deletar esse endereço e começar tudo de novo, é loucura né? Mas pensei e to pensando mesmo, de verdade. Porque a graça da vida é a gente mudar, é a gente ser essa metamorfose ambulante e as vezes por mais que a gente mude tem coisas que não mudam com a gente, porque a gente sempre deixa um pouquinho da gente nos lugares, nas coisas e as vezes quando a gente muda não dá pra mudar o pouquinho que a gente já deixou por um pouquinho novo. Ou será que dá? Felizmente ou não eu sempre fui muito inconstante, sempre mudando (ou fugindo) quando não me identifico mais com alguma coisa ou com alguém, pra mim é muito fácil mudar, abandonar alguma coisa e começar outra do zero. É mais fácil, mais prático e ainda assim nem sempre é certo.
Fazendo uma analogia meio capenga, tem um filme da Hilary Duff que eu amo de paixão chamado The Perfect Man (ou Paixão de Aluguel traduzido), no qual nossa diva teen vive uma adolescente cuja mãe solteira vive procurando um homem perfeito e a cada decepção elas mudam de cidade, de estado, de vida... Cansada das mudanças Holy (personagem da Hilary Duff) cria um namorado virtual para mãe, até que ela própria sofre uma "decepção" amorosa e ela que quer se mudar. Acho que em partes eu sou a mãe da Holy, sempre à procura de alguma coisa nova e quando me "decepciono" (por falta de palavra melhor) eu mudo. Fiz isso com meu ex, cansei de fazer isso com as minhas amizades... Tai uma resolução pra 2015, insistir mais em tudo. Começando aqui pelo blog, porque uma hora a gente também cansa de começar tudo de novo.
domingo, 14 de dezembro de 2014
きれいな魂
Hoje eu resolvi começar a famosa faxina de fim de ano. Na verdade eu não resolvi nada, foi mais um impulso do que qualquer outra coisa...
Principalmente porque eu voltei mais cedo da casa do meu namorado e estava sem ter o que fazer, me deu vontade de desenhar e pintar, mas cadê minhas aquarelas? Procura daqui, procura dali. Mexe naquela gaveta absolutamente lotada de coisas que você largou lá o ano todo, e fecha a gaveta e a bendita gaveta não fecha. Você muda uma coisinha ou outra de lugar, mas ela não fecha do jeitinho que você gosta. Não aguentei, me deu um "cinco minutos" e comecei a tirar tudo de lá, vendo o que era realmente importante para guardar e o que já tinha perdido a importância faz tempo, mas que continuava lá puramente por preguiça minha. Tirei tudo. E coisa por coisa eu viajei no passado, não só nos últimos 348 (sim, 348, porque ainda faltam 17 dias pro ano acabar) dias do ano, mas de até dois anos antes desse. Somente mexendo no conteúdo de duas gavetas eu revi shows e espetáculos teatrais, revisitei Curitba, revivi meus dias na Irlanda (com direito a cartinha de pessoas queridas), tive uma noção do estrago financeiro que eu fiz comigo mesma esse ano e ainda joguei muita coisa fora. Tipo boletos de mensalidade da faculdade, do cartão de crédito, do outro cartão de crédito, comprovantezinhos de compras, de bater o ponto, de lanchonetes, café, McDonalds, Subway e mais uma porrada de coisa.
Esse foi o dia e o ano que eu finalmente tive coragem de jogar fora meu mapa de Dublin, que eu guardei com carinho assim que cheguei em casa dois anosa atrás, mas guardei os cartões de despedida. E olha, não sei vocês, mas pra mim essas faxinas tem um cunho muito mais emocional e espiritual do que material, e olha que eu tô sempre reclamando que não tem espaço pra isso, nem pra aquilo, que não tenho roupas pra nada e etc. Mas tem alguma coisa nessa faxina, nesse desapego que a gente pratica com pequenas partes de nós que me deixa pensativa, e todo esse pensar muitas vezes me deixava triste ou melancólica, mas hoje ele só me deixou um sorriso bobo no rosto, de lembrar de todas as coisas que eu vivi e ser grata por elas, mas também de aceitar que elas já passaram e é hora de abrir espaço para novas lembranças. Se eu sinto saudade dos lugares em que estive e das pessoas que conheci? Claro, como não? Se eu sinto saudade de reviver tudo isso do mesmo jeitinho que eu vivi da primeira vez? Hm.. Não, obrigada. Mesmo não sendo lá uma pessoa muito religiosa eu acredito que Deus escreve certo por linhas tortas, e que tudo tem uma hora certa pra acontecer. Os rolês e os interesses que ontem me tiravam de casa hoje são mais uma fonte de preguiça e de me afundar no sofá vendo filme. E por mais que a vontade de viajar não passe nunca - êta viciozinho ingrato viu? -, a gente acaba criando consciência de que às vezes é melhor segurar o porto, deixar a casa ajeitada de verdade pra depois sonhar em entrar num avião e ir pra qualquer lugar.
Como sempre, mesmo jogando uma "pá" de coisas fora, acabei mantendo tantas outras, lembranças de momentos, do carinho, da amizade, dos momentos... Afinal só porque o passado é passado não quer dizer que ele deva ser jogado no lixo assim, sem mais nem menos, algumas lembranças são queridas demais pra gente se desfazer delas, as coisas levam tempo, principalmente o desapego. Acho que a chave mesmo é só saber o tempo de abrir espaço pras coisas novas. 2014 ainda tem uns diazinhos agarrado comigo, não sei se vai ser um ano que mereça uma retrospectiva, mas vai merecer respeito pelo amadurecimento que - pelo menos eu - ele proporcionou.
OBS: pra quem se assustou com o título da postagem, é a tradução em japonês para "clean soul", ou alma limpa. Embora eu esteja tentando voltar a estudar esse língua maravilhosa, o título ainda foi fornecido pelo Google Translator (-rs)
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Cabem três vidas inteiras
Daí que eu ganhei um quarto novo.
Ano passado meu banheiro estava com um problema de vazamento e precisou de uma reforma considerável para resolver o problema, e esse problema estava afetando diretamente o meu quarto, lotando uma das paredes de infiltração e consequentemente arruinando a parte de trás dos meus armários... Por conta da mudança no banheiro meu pai acabou pintando as paredes do meu quarto (e eu finalmente me livrei daquele rosa meio fúcsia que já estava me dando nos nervos), e com boa parte do fundo dos meus armários impregnada de mofo, foi definida que a próxima mudança seria a de móveis, até porque com três pessoas que tem rinite numa casa, manter dois armários com fundos mofados não é a melhor idéia do mundo.
A reforma acabou ano passado mesmo, graças a Deus e antes mesmo do natal meu pai - aquele lindo - já estava com alguns orçamentos e vários projetos pro meu quarto cuidadosamente separados numa pastinha, esperando a metódica avaliação dele. Todo mundo se animou, idéias e mais idéias surgiram, papai fechou um projeto legal com o marceneiro do bairro e... Pronto! Passaram-se as festividades, acabaram-se as férias, o horário de verão continuava enchendo o saco e a rotina recomeçou. E daí que semana passada os móveis ficaram prontos e eles vieram instalar tudo, eu precisei esvaziar meus armários, minha escrivaninha, ensacar tudo e superlotar o quarto dos meus pais com todas as minhas tralhas... Mas não foi disso que eu vim falar, eu vim falar sobre os móveis... A cama que rangia e os armários com o fundo mofado. Esses móveis "antigos" estão comigo desde antes de eu me formar no colegial e nisso já se foram quatro anos, então esses móveis já viram meus pôsters de bandas de pop rock, minhas figurinhas de álbum do Harry Potter, meus jogos de playstation dois, viram minhas malas e seu conteúdo sendo jogado para dentro delas quando eu fui pra Dublin, viram minhas malas e o mesmo conteúdo - ou quase - sendo organizado lá dentro de novo oito meses depois, nas portas dos armários eu rabisquei meu nome, alguns dos meus quotes preferidos, colei as mesmas figurinhas de HP, tive meus melhores amigos escrevendo mensagens de boa viagem e aproveite antes de eu partir... E eu me dei conta de tudo isso numa quarta feira à tarde quando eu tava terminando de tirar as fotos de lá de dentro, quando passei o dedo pela escrita de pessoas que fizeram parte de alguns dos meus dias mais felizes.
E que valor a gente dá pra isso? Quantas vezes olhamos pro armário velho desejando um novo e esquecemos de olhar como aquele armário, aquelas prateleiras lotadas foram cenário de tantos atos da nossa vida? Me dar conta disso esvaziando meu armário velho me deu uma baita duma nostalgia, e eu não consegui não relembrar os últimos cinco anos e como eu mudei com eles, como até meu armário mudou com o tempo, devido ao uso, devido aos rabiscos, devido ao conteúdo... Agora eles estão na garagem e vão virar estantes, mesmo com o fundo mofado ainda dá pra reutilizar, mas não é a mesma coisa. Agora minhas roupas estão dentro de um outro armário, minhas maquiagens, meus livros, meus cadernos, minhas coisas... Esses pequenos fragmentos de mim agora compões um quarto diferente, um cenário diferente e Deus sabe o que eles vão presenciar daqui pra frente. Não me levem a mal, eu gostei do meu quarto novo e estou muito feliz com ele, mas não consigo não pensar no armário antigo, em quantas vezes eu bati as portas e gavetas com raiva, quantas coisas eu já não joguei lá dentro para não verem seja qual fosse o motivo, quantas coisas eu já guardei e já joguei fora por perderem o sentido, quantas vezes eu olhei para as fotos e pôsters e me senti feliz... Engraçado como eu nunca pensei nisso. Engraçado como o tempo parece passar tão devagar, mas quando olhamos para trás percebemos tudo como se tivesse acontecido num piscar de olhos.
Eu gosto dos meus móveis antigos, fico feliz de poder tê-los e reaproveitá-los por mais algum tempo, mas agora meus armários não são mais meus armários, as minhas roupas e os pedaços de mim de agora tem outra morada, o cenário da minha vida deu uma renovada, mas é bom revisitar o passado e alimentar a saudade na garagem, só que não vou passar o resto dos meus dias lá, é preciso seguir em frente, é preciso não só querer as mudanças, mas abraçá-las e conviver com elas, a gente sempre pode guardar o passado na garagem ou numa gaveta, mas a renovação é necessária, é bem vinda e é linda. É linda sim.
Ano passado meu banheiro estava com um problema de vazamento e precisou de uma reforma considerável para resolver o problema, e esse problema estava afetando diretamente o meu quarto, lotando uma das paredes de infiltração e consequentemente arruinando a parte de trás dos meus armários... Por conta da mudança no banheiro meu pai acabou pintando as paredes do meu quarto (e eu finalmente me livrei daquele rosa meio fúcsia que já estava me dando nos nervos), e com boa parte do fundo dos meus armários impregnada de mofo, foi definida que a próxima mudança seria a de móveis, até porque com três pessoas que tem rinite numa casa, manter dois armários com fundos mofados não é a melhor idéia do mundo.
A reforma acabou ano passado mesmo, graças a Deus e antes mesmo do natal meu pai - aquele lindo - já estava com alguns orçamentos e vários projetos pro meu quarto cuidadosamente separados numa pastinha, esperando a metódica avaliação dele. Todo mundo se animou, idéias e mais idéias surgiram, papai fechou um projeto legal com o marceneiro do bairro e... Pronto! Passaram-se as festividades, acabaram-se as férias, o horário de verão continuava enchendo o saco e a rotina recomeçou. E daí que semana passada os móveis ficaram prontos e eles vieram instalar tudo, eu precisei esvaziar meus armários, minha escrivaninha, ensacar tudo e superlotar o quarto dos meus pais com todas as minhas tralhas... Mas não foi disso que eu vim falar, eu vim falar sobre os móveis... A cama que rangia e os armários com o fundo mofado. Esses móveis "antigos" estão comigo desde antes de eu me formar no colegial e nisso já se foram quatro anos, então esses móveis já viram meus pôsters de bandas de pop rock, minhas figurinhas de álbum do Harry Potter, meus jogos de playstation dois, viram minhas malas e seu conteúdo sendo jogado para dentro delas quando eu fui pra Dublin, viram minhas malas e o mesmo conteúdo - ou quase - sendo organizado lá dentro de novo oito meses depois, nas portas dos armários eu rabisquei meu nome, alguns dos meus quotes preferidos, colei as mesmas figurinhas de HP, tive meus melhores amigos escrevendo mensagens de boa viagem e aproveite antes de eu partir... E eu me dei conta de tudo isso numa quarta feira à tarde quando eu tava terminando de tirar as fotos de lá de dentro, quando passei o dedo pela escrita de pessoas que fizeram parte de alguns dos meus dias mais felizes.
E que valor a gente dá pra isso? Quantas vezes olhamos pro armário velho desejando um novo e esquecemos de olhar como aquele armário, aquelas prateleiras lotadas foram cenário de tantos atos da nossa vida? Me dar conta disso esvaziando meu armário velho me deu uma baita duma nostalgia, e eu não consegui não relembrar os últimos cinco anos e como eu mudei com eles, como até meu armário mudou com o tempo, devido ao uso, devido aos rabiscos, devido ao conteúdo... Agora eles estão na garagem e vão virar estantes, mesmo com o fundo mofado ainda dá pra reutilizar, mas não é a mesma coisa. Agora minhas roupas estão dentro de um outro armário, minhas maquiagens, meus livros, meus cadernos, minhas coisas... Esses pequenos fragmentos de mim agora compões um quarto diferente, um cenário diferente e Deus sabe o que eles vão presenciar daqui pra frente. Não me levem a mal, eu gostei do meu quarto novo e estou muito feliz com ele, mas não consigo não pensar no armário antigo, em quantas vezes eu bati as portas e gavetas com raiva, quantas coisas eu já não joguei lá dentro para não verem seja qual fosse o motivo, quantas coisas eu já guardei e já joguei fora por perderem o sentido, quantas vezes eu olhei para as fotos e pôsters e me senti feliz... Engraçado como eu nunca pensei nisso. Engraçado como o tempo parece passar tão devagar, mas quando olhamos para trás percebemos tudo como se tivesse acontecido num piscar de olhos.
Eu gosto dos meus móveis antigos, fico feliz de poder tê-los e reaproveitá-los por mais algum tempo, mas agora meus armários não são mais meus armários, as minhas roupas e os pedaços de mim de agora tem outra morada, o cenário da minha vida deu uma renovada, mas é bom revisitar o passado e alimentar a saudade na garagem, só que não vou passar o resto dos meus dias lá, é preciso seguir em frente, é preciso não só querer as mudanças, mas abraçá-las e conviver com elas, a gente sempre pode guardar o passado na garagem ou numa gaveta, mas a renovação é necessária, é bem vinda e é linda. É linda sim.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Na ponta dos pés
Quem me acompanha desde o falecido Desconexa Sensação sabe
que sou viciada assumida e orgulhosa de música, que sempre que posso vou aos
shows das minhas bandas preferidas e sempre acabo escrevendo sobre isso porque
é preciso. Música é a minha religião e não há nada que me deixe mais revigorada
mental e fisicamente do que um show, por mais paradoxo que pareça ser. Minha
história com Apanhador Só é engraçada, eu nunca tinha ouvido falar da banda
porto-alegrense até o segundo semestre de 2011, em Dublin, quando minha pessoa
(já vivendo os primeiros perrengues da vida de intercambista) estava fuçando a
biblioteca do itunes de um gaúcho que eu conheci por lá e acabei topando com a
música deles, claro que sincronizei meu ipod com a biblioteca do gaúcho e
graças a Deus Apanhador Só estava na seleção automática do iTunes. Isso dois
anos atrás. Nesse meio tempo as músicas do álbum que levava o nome da banda e o
Acústico-Sucateira foram minha trilha sonora para ir para a escola de inglês,
voltar pra casa, ir ao supermercado ou simplesmente andar por aí... Também
estava no meu ipod quando eu fui para Londres, quando eu voltei pra casa, até
que meu ipod nano laranja morreu e junto com ele todas as músicas que eu tinha
roubado do gaúcho.
Não sei bem quando foi que eu resgatei meu gosto por
Apanhador Só – que nunca acabou, só ficou esquecido por culpa da minha preguiça
e procrastinação -, mas eu sei que se em 2011 “Balão-de-vira-mundo” era a mais
tocada do meu falecido ipod nano laranja, “bem-me-leve” ganhou meu coração, “Nescafé”
continua fazendo um sentido absurdo pra mim, que só fiz me apaixonar cada vez
mais pelas letras cheias de metáforas brilhantes e “tu”s e “teu”s e um sotaque
delicioso. Lembro de ter surtado com a Bibs no facebook e de nós duas termos
iniciado dona Milena na apreciação dessa banda indie nacional. Eu sei que há
poucos dias atrás, meu celular vibrou com uma notificação do facebook com
menina Gabriela surtando e me intimando para um evento que aconteceria no
domingo que passou no parque mais famoso da cidade (pelo menos acho eu).
Apanhador Só tinha marcado um show na capital paulista e mal eu fiquei sabendo
desse show os ingressos já estavam esgotados, a banda que não é besta (e muito
amor, na verdade) organizou uma intervenção Acústica Sucateira no parque pra
dar uma chance dos fãs paulistas desinformados (tipo eu) poderem ter um gostinho
de como é ouvir “Um rei e o Zé” ou “Cartão Postal” ao vivo.
E foi lindo. Uma pequena multidão tremendo de frio sob o céu
cinzento e o vento gelado de inverno paulistano se ajoelhou ao redor dos quatro
membros da banda, durante aproximadamente uma hora e meia, fazendo corinho com
os meninos, aplaudindo e pedindo músicas e sendo atendidos como se fossem
amigos íntimos da banda. Quem me conhece sempre sabe que eu nunca descrevo o
show musica a musica porque eu sou simplesmente incapaz de uma coisa dessas, só
sei que depois de dois anos amando muito essa banda, assisti-los cantar e tocar
assim como quem não quer nada, sentada na grama, nem ligando pro frio e
sorrindo a cada música preferida que iniciava eu fechei meu final de semana
agindo contra todos os meus princípios e ficando depois do show pra comprar a
camiseta e o cd da banda só pra ganhar um autógrafo do meu quase xará e um
abraço tão gostoso que me deixou na ponta dos pés na volta pra casa, debaixo
dos cobertores e antes da prova prática do DETRAN que eu não passei, mas nem
liguei porque na minha cabeça quatro rapazes de Porto Alegre cantavam “E se não
der” e eu preferi continuar no faz de conta.
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